Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Adeus

Adeus galera. Foi muito bom enquanto durou. Abraços!

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

O Narrador

João entrou na sala secreta e abriu um livro chamado "O Narrador". Começou a ler e percebeu que a história era sobre um garoto que entrou numa sala secreta e abriu um livro cujo título era "O Narrador". Pedro, o menino, abriu o livro e começou a lê-lo. Logo percebeu que a narrativa conduzia para uma situação estranha: era sobre um menino conhecido por Tomás que havia entrado numa sala secreta e que nela encontrou um livro intitulado "O Narrador". Tomás, astuto, abriu o livro e teve uma surpresa! A história do livro começava com um menino conhecido como João que havia entrado numa sala secreta na qual havia um livro de título "O Narrador". A história era sobre um tal de Pedro que encontrou um livro no qual um menino chamado Tomás encontrou um livro no qual um menino chamado joão encontrou um livro.

Perturbador.

Leandro Francisco de Paula

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Crise mundial, gripe suína, 2009 chegou chegando...

E aproveitando o post do Lê, vamos lá:

Minha vó disse: "Com 71 anos de existência, nunca soube que porco gripava, ainda mais que ele pegava a gripe humana misturava com a gripe do frango!!!"
Mas isso ela fala com voz de Paulo Maluf, levantando a mão e pedindo votos.

Por isso, na proxima eleição vote em minha vó, porque ela vai lá, e quer que os porcos expliquem direitinho que história é essa de misturar gripe.

Mas uma coisa é certeira: Misturar dá ressaca. E não é atoa que o mundo tá tendo tanta dor de cabeça...

Se protejam! Ela vem por todos os lados! Mas não perca a pose!


Nem beijo, nem aperto de mão (porque posso me contaminar),
Samira Baião.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

APOLOGIA DOS PORCOS: saiba o porquê da gripe suína!

Você tem lido as notícias? Isso mesmo, na sua cabeça veio a frase "gripe suína"! Parou pra pensar no porquê disso tudo? Não?! Pois saiba aqui nesse blog. Siga o meu raciocínio...

Os porcos são injustiçados desde os tempos mais remotos. Abra a Bíblia e veja: eram considerados impuros, só pelo fato de comerem os piores alimentos, inclusive merda... Até tem o provérbio:

Provérbio 11:22 Como uma jóia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição.

E o outro:

MATEUS 7:6 Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.

E quando Jesus mandou os espíritos que estavam no homem para os porcos? Os coitados se jogaram do penhasco e morreram!

E os conceitos formados sobre os porcos? Você não toma banho, é porco. Um coisa deu errado, grita "Porcaria"! Chama os outros de "espírito de porco" (isso veio do caso bíblico acima). Fez sujeira, fez porquice. Porcalhada. Pode ver, os porcos pagam por nossas atitudes, são injustiçados, humilhados em nossa sociedade!
Percebam, existe o homem-morcego, homem-aranha, tartarugas-ninja, Lion-man! Por que não existe um super-herói chamado de homem-porco?

Agora vou mostrar como na verdade eles são essenciais para nossas vidas.

A começar pelo que há de melhor: comida!

O que seria da feijoada sem carne de porco?

E a deliciosa mistura de ovos com bacon? hummmmmmmm

Eles são importantes para a economia também! O que seria da nossa infância sem um cofrinho?
(alguém aí sabe o porquê da existência dos cofre-porquinho?)

Sem contar no formato das tomadas, inspiradas nos focinhos!!!

Lembrem-se, esse ano é o ano do porco na astrologia chinesa! Inclusive, meu signo chinês é porco...Eles influenciam até na parte mais mística de nossas vidas.

Nos ensinaram grandes coisas importantes para nossa convivência. Olhe essa foto pra não dizer que estou mentindo:
Essa também:


Quem já não se emocionou com os três porquinhos?


E tem a Piggy.

O carinhoso Leitão.
O Chauvinista.


O Gaguinho.

O Oolong do Dragon Ball.

O Pumba adora ser chamado de Senhor Porco!

Temos o fofo porquinho Babe.

A linda historinha A Menina e o Porquinho!

Podemos citar também o porquinho-da-Índia (a Índia está na moda né!), que é japonês, o Hantaro.

E por que não citar o Sonic, nosso querido porco-espinho?

Quase ia me esquecendo do porco do Homer, o Porco-Aranha:

Que depois se transformou no Harry-Porco!

Estão nas torcidas de futebol também.

Estamos rodeados de porcos, podem ver...

No livro de George Orwell, a Revolução dos Bichos, ele deixa claro que os porcos dominaram os outros animais na tal revolução.

Tem a HQ intitulada Maus, passado pelo meu camarada Marlon, no qual os porcos têm também papel na política!

Ou seja, eles estão em toda a parte, em todos os lugares. O que são os porcos na verdade? O que eles querem? Que segredos guardam?

E por que será que essa gripe suína é tão mortal? O que há por trás disso? Só nos resta a dúvida. Será vingança depois de tantos milênios cheios de calúnia e injustiça para com eles?

Só sei que provavelmente essa gripe vai se alastrar e vai acabar com o mundo. Antes disso vou fugir para algum lugar e esperar até o fim de tudo, quando a nova ordem mundial começar. Nosso planeta será chamado de Planeta dos Porcos. Os humanos que restarem serão escravizados, podem ter certeza!

Nossa, esse post me deu água na boca...não vejo a hora de chegar o fim do ano para saborear um Porco Assado!

Enquanto isso, vou contar meus dedinhos...esse porquinho foi ao mercado, esse porquinho foi passear...esse...

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Amor Ocioso


Olho para o teto, pequenas vertigens. Paredes cor de gelo de uma manhã ensolarada. A cortina balança aos poucos, fazendo barulhinhos ao bater na janela. Sinto o vento passar pelo meu rosto. Viro e vejo você, ao meu lado, debaixo das cobertas. Por favor, não acorde agora! Quero contemplar essa imagem. Não vou dizer aqui que é imagem divina, que você é a mais linda, que a mais legal...Você é você, e é minha, ao meu lado. Cabelos espalhados no travesseiro, respiração suave, olhos cerrados e pele lisa. Admirar você me lembra nosso primeiro beijo. Macio, quente, adocicado com vinho tinto. No primeiro momento que te vi não gostei tanto de ti. Achei irritante, com esse jeito de "sou demais e não chegue perto". Aos poucos fomos nos conhecendo e cheguei à conclusão de que era a mulher da minha vida. - Estava aqui pensando, quero muito ir no parque dar umas caminhadas, que tal ir comigo? - Tudo bem! Quando vamos?
Esse foi o início de tudo. Demorei pra falar que te achava linda. No começo não conseguia olhar nos seus olhos, porque sentia como se estivesse fazendo uma leitura da minha alma. Por várias vezes quase desisti. No entanto, agora essa menina está aqui do meu lado. Quantas brigas, desentendimentos. Ciúme da minha e da sua parte. Felicidade e tristeza. Champagne e vinho tinto. Uísque e música romântica. Esse perfume simples e suscinto que só uma pessoa bem atenciosa consegue sentir. Essência de mulher. Isso, dorme meu bem, dorme que tem um mundo lá fora. Descansa esse corpo para que ele enfrente mais dias felizes. O relógio está marcando a hora de levantar. Que tal um café? Ah, ainda não. Vou ficar mais um pouco do seu lado. Toma um beijinho no rosto meu bem. Isso, não acorde. Lembro-me de você na praia. Sorridente como sempre, correndo na areia branca. Nos jogamos no mar e nos beijamos como sempre. O medo fazia a gente ficar somente com água até a cintura. Dava medo de vê-la se afogar. Não, nem vou mais pensar nisso. E como você é feminina! Gosta dessa maquiagem, desses vestidos da noite. Respeito sempre, apesar de achar que não precisas de nada disso para ficar bonita. Talvez todo o homem seja como eu, simples...Talvez não. Você chorou ao assistir Antes do Amanhecer comigo, debaixo do cobertor naquele sofá. Enxuguei suas lágrimas e te abracei forte. Não, não vamos nos separar como aqueles dois, vamos ficar juntos! Vendo você dormir assim agora é tão confortável. De vez em quando tens uns pesadelos e acorda bruscamente. Não foram poucas as vezes em que te dei abraços e disse: "está tudo bem, estou aqui". Andar na rua contigo de mãos dadas é uma das coisas de que mais me orgulho. É como desfilar "em campos de morango eternamente". E você pára nas vitrines das lojas para observar...Prefiro observar a você. E observar eternamente. Não quero mais levantar. Quero ficar aqui, desse jeito, para sempre. Sinto as batidas do meu coração acelerar ao lembrar disso tudo, de todos nossos momentos juntos. Por isso, vou ficar hoje aqui, desse jeitinho, te observando...E vou sussurrar baixinho, no seu ouvido vários "eu te amo", para que isso se misture com os seus sonhos.


Leandro Francisco de Paula

Domingo, 29 de Março de 2009

A ética individualista e o espírito do capitalismo nos DESENHOS ANIMADOS!

Nos desenhos animados nem todos os gatos são pardos. O Gato Félix foi o primeiro desenho animado a fazer sucesso em grande escala. Isso foi ainda no início do século passado, na época dos filmes mudos (anos 1910-1920). Ainda nos anos 20 surgiu Mickey Mouse, personagem do americano Walt Disney. Os temas principais desses desenhos eram a fantasia, os animais da floresta, a magia. Muitos desenhos animados de Walt Disney eram feitos com base em sinfonias famosas, sou seja, a música precedia o próprio desenho. Com o tempo e o aumento da fama, Walt Disney ampliou seu mercado criando longas metragens inspirados em histórias tirados do folclore europeu, como Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio. No entanto, logo chegou a Segunda Guerra e Disney teve que parar por uns tempos o seu trabalho.

Falido depois da Guerra, Disney tinha que lançar um longa metragem animado que fizesse sucesso, ou então a empresa acabaria. Cinderela foi lançada e o Império ganhou novo fôlego. Em 1955 o empresário criou a Disneylândia, parque de diversões mais conhecido no mundo todo. O império tinha, enfim, um monumento representando sua vitória. Nessa época, o televisor havia se tornado um aparelho comum na vida de qualquer pessoa normal. Da mesma forma, o desenho animado passou a ser o companheiro fiel de qualquer criança americana, principalmente se ela vivesse no ambiente urbano. Outras empresas se alavancaram com o sucesso de Disney e lançaram também seus produtos.

No entanto, Walt Disney não estava sozinho. Já na década de 1930 surgiu a Looney Tunes, série de desenhos animados produzidos pela empresa Warner Brothers. O principal personagem era o esperto e folgado coelho Pernalonga. Nos desenhos, o coelho quase sempre está fugindo de Hortelino, o caçador bobo que sempre acaba na pior. Outros personagens de Looney Tunes são Patolino, Frajola e Piu Piu, Papa Léguas, Coiote, Ligeirinho.

Ainda na década de 1940, Joseph Barbera e William Hanna, dupla de desenhistas estadunidenses, haviam enviado seus desenhos para o mestre Walt Disney, que os prometeu contratá-los, fato que nunca se suscedeu. Os dois então resolveram criar a própria empresa de desenhos animados. Surgiu, assim, a Hanna Barbera. Os personagens que na década de 50, época do boom econômico mundial, difundiram a imagem da Hanna Barbera foram Tom e Jerry. O desenho tinha sempre o mesmo ingrediente: o gato corria atrás do rato e sempre se dava mal. Foram os principais símbolos da empresa até os anos 70, quando Scooby-Doo surgiu. Nesse desenho, o cão atrapalhado, comilão e detetive, vivia desvendando mistérios ao lado de seu colega Salsicha e seus outros companheiros.

Não podíamos esquecer também do americano Walter Lantz e sua maior criação: o Pica-pau (Woody Woodpecker). O desenho se tornou famoso na década de 40, após a distribuição pela Universal Pictures. Diz a lenda que numa bela noite do ano de 1940, Lantz estava com sua esposa na lua de mel quando um pica-pau começou a furar seu telhado. Aí surgiu o personagem. A idéia do desenho é mostrar um personagem esperto, que sempre sai por cima das situações, não importa no que esteja se metendo.

O boom econômico dos anos 50, unido com o American Way of Life, impulsionou a indústria televisiva e levou esses desenhos para os lares americanos. Aos poucos, nas próximas décadas, os desenhos foram conquistando outros espaços no mundo. Hoje, é difícil quem não tenha assistido ou ouvido falar em Mickey, Pato Donald, Pica-pau, Tom e Jerry, Pernalonga. Esses personagens fazem parte da infância de muitas pessoas no mundo.

No entanto, o que será que eu quis dizer com o título do post?
Sim, é possível extrair da essência desses desenhos a ética individualista americana. Ainda mais, conseguimos perceber nos desenhos um nacionalismo americano exacerbado. Por exemplo, Pica-pau nunca perde. O passarinho que traz as cores da bandeira americana vence todas as batalhas, não importa quem seja o adversário. Ele passa todos pra trás com sua esperteza. O mesmo se passa com Pernalonga. Jerry nunca perde para Tom. Ao contrário, o massacra. Portanto, nos é dado de maneira clara que o individualismo, o "eu sou melhor que você e vou ganhar de você porque sou mais esperto", é o carro chefe desses tipos de desenhos. Não vou nem citar o Tio Patinhas aqui, pois ficaria muito redundante.

Posso falar ainda da idéia de superioridade bélica americana. Os personagens não só vencem seus adversários, eles os explodem! A todo o momento canhões são acionados, dinamites explodem nas mãos do perdedores. Muitas vezes de maneira subliminar podemos perceber também nos desenhos a menção às bombas atômicas lançadas pelos EUA no Japão na Segunda Guerra Mundial. Dessa forma, o orgulho americano e a violência são os principais elementos desses desenhos animados. Que contraste com desenhos como o dos Smurfs não é? Não é possível imaginar um coelho solitário e espertalhão como o Pernalonga vivendo uma comunidade como a dos bichinhos azuis. Pica-pau nunca conseguiria viver na sociedade dos Animais do Bosque dos Vinténs! Nenhum deles se encaixaria num desenho como o dos Muppet Babies!

Nunca viveriam em harmonia entre os Ursinhos Carinhosos!



Porque são personagens que carregam a ética do individualismo, a ética dos livros de auto-ajuda de empresas.

Agora, imaginem uma criança aprendendo em sua formação esses princípios individualistas...

Esse post aqui foi feito com o intuito de fazer aqueles que lerem pensar. Focalizei a discussão principalmente nos desenhos americanos surgidos entre as décadas de 1930 e 1950. Nem mencionei aqui a invasão dos desenhos japoneses no mundo ocidental (a partir da década de 1990). Não falei do machismo trazido por esses desenhos (imagem da mulher submissa). Talvez faça um próximo post com esses assuntos.

Enquanto isso não acontece, acho que vou assitir alguns episódios de Os Simpsons!

Beijos do Le!

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

O Tempo


Semana passada estava conversando com algumas pessoas no msn parte delas começou a reclamar de suas idades, dizendo que gostariam de voltar no tempo. Tudo isso porque estão "insatisfeitas" com a época atual, querem rejuvenescer, sentem saudade dos tempos de infância e adolescência. Após ver o filme O Curioso Caso de Benjamin Button, resolvi fazer um post sobre o tempo.


Não é de hoje que isso acontece. Todos temos medo de envelhecer, pois o envelhecimento lembra muito a morte. A morte é o grande tabu da humanidade. É ruim pensar que nascemos, crescemos e morremos, como qualquer outro ser vivo. Queremos ser eternos. Queremos viver felizes para sempre, como dizem as historinhas. Triste é saber que nunca conheceremos o futuro da humanidade, dos que aqui ficarem após nossa partida. Não podemos fazer como o filme De Volta para o Futuro. Em outras palavras, não podemos viajar no tempo. Ou podemos?E pensar que essa preocupação humana com o tempo existiu desde que nos conhecemos homo sapiens sapiens, ou até antes. Egípcios, gregos, romanos, mesopotâmicos, persas, todos, sem exceção, contavam o tempo de alguma forma. Em quase todas as vezes o Sol esteve presente nisso. Afinal de contas, era ele que surgia esplendoroso nos céus e dava a luz para a escuridão. Era ele que aquecia os corpos daqueles que estavam com frio. Deus foi confundido com o Sol infinitas vezes na história da humanidade.
Com o passar dos séculos, os homens passaram a ver aquele Deus como um astro, como parte daquele céu cheio de outras estrelas. Novas crenças surgiram, novos deuses tomaram o lugar que antes pertencia ao Sol. Novas formas de contar o tempo surgiram. A Lua, antes tida também como uma deusa, passou a fazer parte da contagem do tempo. Ela sempre nascia, crescia e morria, assim como os homens, mais ou menos ao mesmo tempo em que o sol iluminava a escuridão 30 vezes. Se o tempo que o sol aparecia no céu, sumia e voltava a aparecer passou a se chamar dia, o tempo em que a Lua nascia, crescia e morria (ou seja, dava uma volta no planeta), passou a se chamar mês. Pensaram em incluir nessa contagem de tempo as estações. Enfim, aos poucos o conceito de ano foi surgindo. Cada mês ganhou um nome especial em Roma, um nome de algum deus. Criou-se um calendário cristão romano no ocidente, o qual nós adotamos. Em outras regiões, como no Japão (não é Tati?), as pessoas seguem outros tipos de calendário.
No entanto, o tempo nunca foi uma coisa fácil de se aceitar. Tudo passa, e isso é uma pena. Será?




Na idade média, as formas de se contar o tempo não eram assim tão importantes. O mais importante era saber algo sobre as estações, para que o cultivo de alimentos fosse bem aproveitado. Um camponês sabia muito bem disso. Se você pegasse agora uma carona num veículo que viaja no tempo e fosse para a Idade Média, perderia tempo em perguntar as horas para qualquer camponês. No máximo ele comentaria alguma coisa sobre a posição do Sol, isso se ele te entendesse.


Só que daí, a grosso modo, chegou o período da Revolução Industrial. É, a partir dali o tempo começou a significar dinheiro, meu amigo! Então vamos trabalhar ociosos, vamos trabalhar para ganhar dinheiro. Vamos suar de 12 a 16 horas por dia para conseguir receber alguns trocados e assim poder comprar comida. Horas? Sim, horas!

O dia foi subdividido mais uma vez, agora em 24 partes. O relógio tornou-se o instrumento mais cobiçado entre os trabalhadores no fim do século XVIII e durante o XIX. Ter um relógio significava poder "controlar" o tempo, usá-lo ao seu favor e ganhar vantagem com relação aos outros trabalhadores. Já não bastava apenas acordar com o sino da Igreja mais próxima ou com o cantar do galo. Agora a idéia era pôr o relógio pra despertar e ir logo para o trabalho.Trabalho, tempo, dinheiro. De repente esquecemos que nossas vidas também estão conectadas com certa idéia de tempo, a qual difere e muito com aquela dos calendários religiosos, do tempo industrial. Estávamos muito confiantes com todo esse conhecimento científico sobre contagem de tempo até o início do seculo XX. No entanto, lá na Alemanha apareceu um sujeito muito punk, cabeludão, bigodinho. Ele chegou e disse: Caras, vocês estão muito enganados. Aí lançou a Teoria da Relatividade.



O tal sujeito, Albert Einstein, o maior gênio do século XX, mudou nossas concepções e nos deixou sem solo sob os pés. Não vou me dar ao trabalho de especificar tudo sobre essa teoria aqui. Posso dizer que ela nos mostrou que tudo é relativo, até mesmo o tempo. Einstein provou que inclusive a viagem no tempo poderia ser possível. Vou citar um exemplo presente na teoria: existem dois gêmeos. Um fica na Terra e o outro pega uma nave e vai viajar pelo espaço na velocidade da Luz. Quando esse que pegou a nave voltar para nosso planeta, estará mais velho que seu irmão.

Incrível, não?

Assim, podemos dizer que tudo é relativo. Mas qual bebê não sabe disso?
Quando a gente nasce, não tem noção nenhuma de tempo. Se você perguntar para uma criança alguma coisa sobre o passado dela ou sobre o futuro, dificilmente ela conseguirá conceitualizar isso, porque o tempo é a menor preocupação dela. Aí a gente vai crescendo, vai envelhecendo, a sociedade começa a mostrar pra gente um mundo de preocupações.

Dá vontade até de continuar jovem pra sempre, assim como Peter Pan, ou achar alguma fonte da juventude.
Nos apegamos a coisas de nossa infância, recorremos a cirurgias. Não aceitamos que vamos morrer um dia! Temos nostalgia dos dias que já passaram. A própria idéia do ontem já nos dá saudade. Tudo parece que passa num piscar de olhos.

Até quando ficaremos assim? Até quando deixaremos que o tempo atrapalhe nosso próprio cotidiano? A escolha é nossa: podemos continuar a pensar como as crianças e acreditar que o "tempo não existe", ou podemos crescer, envelhecer e continuar a temer. Pense nisso.
O Relógio



Passa, tempo, tic-tac

Tic-tac, passa, hora

Chega logo, tic-tac

Tic-tac, e vai-te embora

Passa, tempo

Bem depressa

Não atrasa

Não demora

Que já estou

Muito cansado

Já perdi

Toda a alegria

De fazer

Meu tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac . . .

Vinícius de Morais

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu

Soneto 12

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

Shakespeare