domingo, 29 de março de 2009

A ética individualista e o espírito do capitalismo nos DESENHOS ANIMADOS!

Nos desenhos animados nem todos os gatos são pardos. O Gato Félix foi o primeiro desenho animado a fazer sucesso em grande escala. Isso foi ainda no início do século passado, na época dos filmes mudos (anos 1910-1920). Ainda nos anos 20 surgiu Mickey Mouse, personagem do americano Walt Disney. Os temas principais desses desenhos eram a fantasia, os animais da floresta, a magia. Muitos desenhos animados de Walt Disney eram feitos com base em sinfonias famosas, sou seja, a música precedia o próprio desenho. Com o tempo e o aumento da fama, Walt Disney ampliou seu mercado criando longas metragens inspirados em histórias tirados do folclore europeu, como Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio. No entanto, logo chegou a Segunda Guerra e Disney teve que parar por uns tempos o seu trabalho.

Falido depois da Guerra, Disney tinha que lançar um longa metragem animado que fizesse sucesso, ou então a empresa acabaria. Cinderela foi lançada e o Império ganhou novo fôlego. Em 1955 o empresário criou a Disneylândia, parque de diversões mais conhecido no mundo todo. O império tinha, enfim, um monumento representando sua vitória. Nessa época, o televisor havia se tornado um aparelho comum na vida de qualquer pessoa normal. Da mesma forma, o desenho animado passou a ser o companheiro fiel de qualquer criança americana, principalmente se ela vivesse no ambiente urbano. Outras empresas se alavancaram com o sucesso de Disney e lançaram também seus produtos.

No entanto, Walt Disney não estava sozinho. Já na década de 1930 surgiu a Looney Tunes, série de desenhos animados produzidos pela empresa Warner Brothers. O principal personagem era o esperto e folgado coelho Pernalonga. Nos desenhos, o coelho quase sempre está fugindo de Hortelino, o caçador bobo que sempre acaba na pior. Outros personagens de Looney Tunes são Patolino, Frajola e Piu Piu, Papa Léguas, Coiote, Ligeirinho.

Ainda na década de 1940, Joseph Barbera e William Hanna, dupla de desenhistas estadunidenses, haviam enviado seus desenhos para o mestre Walt Disney, que os prometeu contratá-los, fato que nunca se suscedeu. Os dois então resolveram criar a própria empresa de desenhos animados. Surgiu, assim, a Hanna Barbera. Os personagens que na década de 50, época do boom econômico mundial, difundiram a imagem da Hanna Barbera foram Tom e Jerry. O desenho tinha sempre o mesmo ingrediente: o gato corria atrás do rato e sempre se dava mal. Foram os principais símbolos da empresa até os anos 70, quando Scooby-Doo surgiu. Nesse desenho, o cão atrapalhado, comilão e detetive, vivia desvendando mistérios ao lado de seu colega Salsicha e seus outros companheiros.

Não podíamos esquecer também do americano Walter Lantz e sua maior criação: o Pica-pau (Woody Woodpecker). O desenho se tornou famoso na década de 40, após a distribuição pela Universal Pictures. Diz a lenda que numa bela noite do ano de 1940, Lantz estava com sua esposa na lua de mel quando um pica-pau começou a furar seu telhado. Aí surgiu o personagem. A idéia do desenho é mostrar um personagem esperto, que sempre sai por cima das situações, não importa no que esteja se metendo.

O boom econômico dos anos 50, unido com o American Way of Life, impulsionou a indústria televisiva e levou esses desenhos para os lares americanos. Aos poucos, nas próximas décadas, os desenhos foram conquistando outros espaços no mundo. Hoje, é difícil quem não tenha assistido ou ouvido falar em Mickey, Pato Donald, Pica-pau, Tom e Jerry, Pernalonga. Esses personagens fazem parte da infância de muitas pessoas no mundo.

No entanto, o que será que eu quis dizer com o título do post?
Sim, é possível extrair da essência desses desenhos a ética individualista americana. Ainda mais, conseguimos perceber nos desenhos um nacionalismo americano exacerbado. Por exemplo, Pica-pau nunca perde. O passarinho que traz as cores da bandeira americana vence todas as batalhas, não importa quem seja o adversário. Ele passa todos pra trás com sua esperteza. O mesmo se passa com Pernalonga. Jerry nunca perde para Tom. Ao contrário, o massacra. Portanto, nos é dado de maneira clara que o individualismo, o "eu sou melhor que você e vou ganhar de você porque sou mais esperto", é o carro chefe desses tipos de desenhos. Não vou nem citar o Tio Patinhas aqui, pois ficaria muito redundante.

Posso falar ainda da idéia de superioridade bélica americana. Os personagens não só vencem seus adversários, eles os explodem! A todo o momento canhões são acionados, dinamites explodem nas mãos do perdedores. Muitas vezes de maneira subliminar podemos perceber também nos desenhos a menção às bombas atômicas lançadas pelos EUA no Japão na Segunda Guerra Mundial. Dessa forma, o orgulho americano e a violência são os principais elementos desses desenhos animados. Que contraste com desenhos como o dos Smurfs não é? Não é possível imaginar um coelho solitário e espertalhão como o Pernalonga vivendo uma comunidade como a dos bichinhos azuis. Pica-pau nunca conseguiria viver na sociedade dos Animais do Bosque dos Vinténs! Nenhum deles se encaixaria num desenho como o dos Muppet Babies!

Nunca viveriam em harmonia entre os Ursinhos Carinhosos!



Porque são personagens que carregam a ética do individualismo, a ética dos livros de auto-ajuda de empresas.

Agora, imaginem uma criança aprendendo em sua formação esses princípios individualistas...

Esse post aqui foi feito com o intuito de fazer aqueles que lerem pensar. Focalizei a discussão principalmente nos desenhos americanos surgidos entre as décadas de 1930 e 1950. Nem mencionei aqui a invasão dos desenhos japoneses no mundo ocidental (a partir da década de 1990). Não falei do machismo trazido por esses desenhos (imagem da mulher submissa). Talvez faça um próximo post com esses assuntos.

Enquanto isso não acontece, acho que vou assitir alguns episódios de Os Simpsons!

Beijos do Le!

3 comentários:

Bruna Oliver disse...

EU QRIA QUE O TOM PEGASSE O JERRY
:(

Deby disse...

wooooooooow,

imagine se algum deles se desse mal?? UHAUAHUAH quando a gente é pequeno nem se dá conta dessas coisas =P

beijo no core, le!

kamilla disse...

realmente LE, me enoja essa forma em que os EUA exibem o poder.
Um pais extremamente individualista que quer manipular a mente do planeta
amei esse tema que vc abordou
outro exemplo tipico de individualismo dos EUA é a mulher maravilha: uma amozona que nasceu na grecia mais que veste as cores dos estados unidos e ainda tem uma aguia dourada no busto que por sua vez e o simbolo americano...
abracos