
Não é de hoje que isso acontece. Todos temos medo de envelhecer, pois o envelhecimento lembra muito a morte. A morte é o grande tabu da humanidade. É ruim pensar que nascemos, crescemos e morremos, como qualquer outro ser vivo. Queremos ser eternos. Queremos viver felizes para sempre, como dizem as historinhas. Triste é saber que nunca conheceremos o futuro da humanidade, dos que aqui ficarem após nossa partida. Não podemos fazer como o filme De Volta para o Futuro. Em outras palavras, não podemos viajar no tempo. Ou podemos?
E pensar que essa preocupação humana com o tempo existiu desde que nos conhecemos homo sapiens sapiens, ou até antes. Egípcios, gregos, romanos, mesopotâmicos, persas, todos, sem exceção, contavam o tempo de alguma forma. Em quase todas as vezes o Sol esteve presente nisso. Afinal de contas, era ele que surgia esplendoroso nos céus e dava a luz para a escuridão. Era ele que aquecia os corpos daqueles que estavam com frio. Deus foi confundido com o Sol infinitas vezes na história da humanidade.
Com o passar dos séculos, os homens passaram a ver aquele Deus como um astro, como parte daquele céu cheio de outras estrelas. Novas crenças surgiram, novos deuses tomaram o lugar que antes pertencia ao Sol. Novas formas de contar o tempo surgiram. A Lua, antes tida também como uma deusa, passou a fazer parte da contagem do tempo. Ela sempre nascia, crescia e morria, assim como os homens, mais ou menos ao mesmo tempo em que o sol iluminava a escuridão 30 vezes. Se o tempo que o sol aparecia no céu, sumia e voltava a aparecer passou a se chamar dia, o tempo em que a Lua nascia, crescia e morria (ou seja, dava uma volta no planeta), passou a se chamar mês. Pensaram em incluir nessa contagem de tempo as estações. Enfim, aos poucos o conceito de ano foi surgindo. Cada mês ganhou um nome especial em Roma, um nome de algum deus. Criou-se um calendário cristão romano no ocidente, o qual nós adotamos. Em outras regiões, como no Japão (não é Tati?), as pessoas seguem outros tipos de calendário.
No entanto, o tempo nunca foi uma coisa fácil de se aceitar. Tudo passa, e isso é uma pena. Será?
Na idade média, as formas de se contar o tempo não eram assim tão importantes. O mais importante era saber algo sobre as estações, para que o cultivo de alimentos fosse bem aproveitado. Um camponês sabia muito bem disso. Se você pegasse agora uma carona num veículo que viaja no tempo e fosse para a Idade Média, perderia tempo em perguntar as horas para qualquer camponês. No máximo ele comentaria alguma coisa sobre a posição do Sol, isso se ele te entendesse.
Só que daí, a grosso modo, chegou o período da Revolução Industrial. É, a partir dali o tempo começou a significar dinheiro, meu amigo! Então vamos trabalhar ociosos, vamos trabalhar para ganhar dinheiro. Vamos suar de 12 a 16 horas por dia para conseguir receber alguns trocados e assim poder comprar comida. Horas? Sim, horas!
O dia foi subdividido mais uma vez, agora em 24 partes. O relógio tornou-se o instrumento mais cobiçado entre os trabalhadores no fim do século XVIII e durante o XIX. Ter um relógio significava poder "controlar" o tempo, usá-lo ao seu favor e ganhar vantagem com relação aos outros trabalhadores. Já não bastava apenas acordar com o sino da Igreja mais próxima ou com o cantar do galo. Agora a idéia era pôr o relógio pra despertar e ir logo para o trabalho.

O tal sujeito, Albert Einstein, o maior gênio do século XX, mudou nossas concepções e nos deixou sem solo sob os pés. Não vou me dar ao trabalho de especificar tudo sobre essa teoria aqui. Posso dizer que ela nos mostrou que tudo é relativo, até mesmo o tempo. Einstein provou que inclusive a viagem no tempo poderia ser possível. Vou citar um exemplo presente na teoria: existem dois gêmeos. Um fica na Terra e o outro pega uma nave e vai viajar pelo espaço na velocidade da Luz. Quando esse que pegou a nave voltar para nosso planeta, estará mais velho que seu irmão.
Incrível, não?
Assim, podemos dizer que tudo é relativo. Mas qual bebê não sabe disso?

Quando a gente nasce, não tem noção nenhuma de tempo. Se você perguntar para uma criança alguma coisa sobre o passado dela ou sobre o futuro, dificilmente ela conseguirá conceitualizar isso, porque o tempo é a menor preocupação dela. Aí a gente vai crescendo, vai envelhecendo, a sociedade começa a mostrar pra gente um mundo de preocupações.
Dá vontade até de continuar jovem pra sempre, assim como Peter Pan, ou achar alguma fonte da juventude.

Nos apegamos a coisas de nossa infância, recorremos a cirurgias. Não aceitamos que vamos morrer um dia! Temos nostalgia dos dias que já passaram. A própria idéia do ontem já nos dá saudade. Tudo parece que passa num piscar de olhos.
Até quando ficaremos assim? Até quando deixaremos que o tempo atrapalhe nosso próprio cotidiano? A escolha é nossa: podemos continuar a pensar como as crianças e acreditar que o "tempo não existe", ou podemos crescer, envelhecer e continuar a temer. Pense nisso.

Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac . . .
Vinícius de Morais
MEUS OITO ANOS
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
Casimiro de Abreu
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
Shakespeare
3 comentários:
é de encher os olhos aos ler os posts aqui! sempre melhores (por isso nao posto AHSduahsdu). x)
uns dos mais fodas que já li (y)
valeu Le
é, o tempo!
Caralho...o tempo é mara...e o Lê tbm!!!
Adorei meu...parabéns!!!!
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